terça-feira, 18 de agosto de 2009

...remendos...

Quero secar as minhas lágrimas
junto aos meus.
Desde os outros milianos,
adentrando rumos em segredo nosso.
Chegamos ao remédio do remediado
filosofias de remendo.
Hoje trabalho removendo
a terra do túmulo de meu avô.
Um elo quebrado
dos mares de demônios.
Sou filha do mar
e o meu olho é rasgado
pela sua praga que
azeda o caldo.
Não venha com sua maldade,
nos subterrâneos o martelo
inverte o desgaste.
Traz a sua reza fina
pra contemplar o que
não enche a nossa barriga.
Mas não chegue na maldade
porque nosso elo é

a vírgula.

O meu olho é rasgado, e
é minha alegria.
Silêncio diante da nossa imensidão
que a sua vista nem chega.

São nossos corpos,
prestenção,
de fogo
água
vento
montanha
terra
rio e
trovão

Aqui costuma morar o poço do mundo.
É um profundo onde eu
piso nos mortos e
respiro sua respiração.
Curamos então nossos umbigos

furtados

e assim eu digo
que há comida no prato
estamos salvos.
Guarde a sua maldade,
nossos passos são furtivos

tu desconheces

e o olho foi rasgado.

(eu, 2009)

sábado, 8 de agosto de 2009

Só a Mulherada!



Endereço do Sarau:
Bar do Carlita
Rua Prof. Viveiros Raposo, 534
(próximo ao ponto final do ônibus Ana Rosa - Brasilândia, em frente a Escola João Solimeo)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Música do Macalé!

Aqui vai uma singela homenagem ao amor carnal:

Açogueira

Eu vagava a esmo encharcado
Em martírio, tortura e desilusão
E ao cruzar o açougue da esquina
Meu olhar distraído ela raptou
Estava ela vestida de branco
Toda ensangüentada e com a faca na mão
Foi em torno de peças de alcatra
Que pude encontrar minha doce paixão

Açougueira
Nunca mais te esquecerei
Esses beijos de novela
O tesouro que eu ganhei
Açougueira
O meu mundo se incendeia
Meu coração não é um bife
Pra você jogar na grelha

Naquele tempo tudo era colorido
O sol raiava sempre em céu de brigadeiro
E eu era tua picanha em alta brasa
E você minha maminha na manteiga
Nossos corpos nas areias escaldantes
Com suor e salpicados de areia
No quiosque você pede um conhaque
Toma um porre e depois diz que me odeia

Açougueira
O meu mundo se incendeia
Meu coração não é um bife
Pra você jogar na grelha
Açougueira
Eu lhe peço, por favor
Não jogue todo o nosso caso
No frigorífico do amor!

Luiz Felipe(vulgar) Macalé

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Quanto Tempo o Tempo Tem








Hoje na Oficina dos Sonhos participou uma criança firmeza (deve ter lá seus 6 anos), chamado Vitor, filho da Sirlene. Assim que chegou pegou as tintas e nem se importou com a nossa presença, lambuzou o papel. No fim, olhando os desenhos um mais lindo que o outro, eu disse assim:

- Ô Vitinho, você tem futuro!

- Ah... mas Carolzinha... o que é futuro hein?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

Trágica

Me pegou pelos braços
e acendeu minha garganta
calando meu sossego
enquanto durmo.
Foi tomando cada cantinho
onde eu lavro esperanças
de vontades de sair correndo.
Se apossou de mim
como quem come a sobremesa,
ardendo tudo à minha volta
seu fogo implacável.
Eu dizia não
querendo gritar
me subindo o calafrio pelas
curvas das costas.
Em volta as paredes pingavam
por dentro era a dor desterrada
e eu dizia não,
querendo gritar
contra sua triste
sede de me tomar inteira.









... dedicado à minha gripe.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Voz Suja

Busquei o rosto das palavras,
mas todas passavam com pressa.
Sem tempo, leves e sem mágoa.
Não estavam tímidas, é que
não oferecei meu leito triste
como ancoradouro
por isso me ignoravam.
Por mim atravessavam águas,
e ilha não fui.
Raiz de que erva aqui nasceria,
para seu próprio fim?
Cultivo de ventos talvez,
que a tudo carrega.
Sou rio sem margem e sem pouso
inerte no fundo de mim.
Daqui partiram os girinos pequenos e
os peixes coloridos.
Intenção minha de ficar eternamente impura
cheia de lama.
De dia, sou espelho de quem passa
e aqui padece um reflexo.
Dou pontadas nos olhos
minha sina.
É voz suja que contém
a noite guardada
o movimento de minhas
pernas flutuantes.
Agarro vapores pela madrugada,
sorvendo delírios de
letras enfileiradas.
Palavras que sabia de cor, e que
por essa região vivem.
Mas sei, sou poço imundo que transborda
água infértil.

Sendo lama
na secura do verbo.

(eu, 2009)