sábado, 20 de março de 2010

Você acredita na Arte como ferramenta de inclusão social?

Denis me propôs responder a essa pergunta, como parte de um trabalho que ele está fazendo. Foi bão pensar sobre isso, então lá vai:

O acesso ao mundo codificado da arte sempre foi para poucos senhores, com H maiúsculo. Durante muito tempo e gerando nosso tempo, se tornou muro com arame farpado. A caixa fina da arte bem guardada ali e o mimeógrafo caindo aos pedaços aqui. Escola pública? Arte não entra ou explode em palavras violentas pelas paredes, escritas em giz, vela e spray? A inclusão é palavra perigosa, prefiro uma outra mais arriscada e cheia de curvas, chamada construção. Incluir supõe sistema fechado, abrindo uma porta lá nos fundos, ingrata.  Porta dos fundos que, depois da jornada de trabalho e com um salário furreco nas mãos, se é  permitido sair após limpar todos os cômodos e abrir todas as janelas abafadas do apartamento da arte contemporânea. Inclusão caiu na boca do povo, muitas vezes apenas como palavra morta que revive em muitas ações diversas. Tem coisa boa e viva nesse balaio, tem xeque-mate de organizações e governos carcomidos. Eu mesma sei que hoje ainda se faz a inclusão das mulheres no circuito da arte, desde que formalmente continuem em seu lugar. As mulheres aparecem, mas seu mundo subjetivo (e digo isso não a favor de uma essência, mas de uma vivência de opressão compartilhada) é feio. Como compreender esteticamente algo que foge da organização das imagens do mundo construído meticulosamente pelos cara-pálida? Inclusão social pra mim cheira perigo, com tudo que meus olhos já viram nesse jogo político que é a cultura. Construção nunca vem separada da educação, e se torna terreno aberto para crescer em palavra, domínio da própria história e desenvolvimento de um sistema estético vivo. Isso supõe, muitas vezes, retirar de anos e anos de mofo e poeira um indício do que seja nossa linhagem. Supõe um olhar, menos afeito a ligar os pontinhos de um desenho que alguém já planejou. A arte é motor de reconstrução de muitas vidas, como tomada de posse dessa rede delicada que une sentir e pensar, que une colecionar e organizar um mundo, cheirar e modificar a matéria. Muitas vezes coloca o arroz e feijão no prato, na maioria "apenas" coloca óleo na ferrugem dos dias. Cabe saber onde pisar nesse mundo exaurido, que diálogo estabelecer.




Qual é a igualdade da troca?






Aí Denis, qualquer coisa grita...

Bom, meu nome é Carolzinha Teixeira, tenho 26 anos e meu trabalho, ainda no começo da jornada, é baseado na pesquisa da história das pintoras no Brasil. No momento pinto em lonas recortadas e proponho instalações nos locais de exposição. As imagens propostas retomam arquétipos de uma história dizimada. Retiro o projeto das imagens de sonhos, conversas e da literatura.


segunda-feira, 8 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Janela

Tristeza roncou
em meu estômago faminto
de nuvens.
Os nós são
Os nós são
sozinhos.
Em pele exposta,
casa fechada.
Janela fresta
um bem-querer
guardado
e pensamentos
noturnos
de nós são

sozinho.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cartaz para o Estação Catraca



http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/02/estacao-catraca-livre-volta-dia-7-de-marco-com-homenagem-a-adoniran-barbosa/

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Convite

 
 


O que a Alinão tá aprontando eu não sei, mas estarei lá com alguns trampos bem antigos.

sábado, 23 de janeiro de 2010






... traziam em si medo e vigor.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Espiral Negra: Ciência e Movimento



POR QUE E COMO?
Juntando as experiências e miragens das nossas velhas guardas e dos nossos cientistas que pesquisam, movimentam e que apresentam voz própria.
Aqui nas nossas beiradas, onde está a grande necessidade, onde é nossa real fonte, já que os cursos dessa picadilha quase sempre são caros e distantes, girando apenas pelos bairros nobres ou pelas ilhas onde quem entra, volta e meia, não pensa e não pisa mais com seus sapatos os caminhos do ontem. Do nosso ontem.
Vamos bolando e renovando conhecimentos que nascem do afeto, com carícia e com choro, arteirando no nosso jardim negro. Sentindo pensamentos, na matemática, na geografia, nas artes plásticas e em tudo mais que brilhar na teia.
Procurando e bebendo do sabor do saber, com a graça e o dendê do conceito que não mora na paralisia ilhada nem na papagaiada empoada que se garante no seguro do diploma, vampira e sempre fingindo indignação.
É isso, povo. Em tempos de teclas e de ibope fácil, que a gente articule tanta informação e faça dela real conhecimento.
Não vamos esquecer que, anos pra trás, nesse novelo de estudar era tudo ainda muito mais pontudo. Ter um caderno, ter essas pontes de comunicação pra entrançar revides e fundamentos, ter condição de colocar nossos olhos vermelhos no cartão de matrícula.
Então que nossos ofícios e gritos, cheinhos de filosofia e ciência, também se adentrem pelos espaços das pedagogias duras, oferecendo ritmo e graça, sem perder a chama que a beirada dá e pede.
Fica aqui a gratidão pela atenção, a busca (difícil, mas possível) da transformação de raiva em amor, com poesia na luta e asas disfarçadas nas raízes.

Ass: Edições Toró, Quilombaque, Elo da Corrente e Sarau na Brasa.

para se inscrever: www.edicoestoro.net