Nego meu, hoje amanheceu escuro, do lado de cá. Tenho prontas-visões do que intuí. Mas muito não sei não. Adverti quem aqui mora, é tempo de esperar, évem a chuva. Cairá na calha trazendo de tudo que se acumula na estação. Galhinhos, folhas, bichos mortos. O chão fica sujo, mas eu não acho sujo não. Começo a divisar a matéria podre, eu gosto. Hoje mesmo, fiquei de admirar os mofos crescendo de tanta umidade. Homem, como pode um negócio tão ralo, tão pouco, ir subindo e fazendo essa engenharia rasteira, lá no meio do vértice onde ponteia o quarto todo? E quando esverdeia o pão, todo nosso apetite de amor? Bolor que o povo cá chama, embolorou, emboloiou, emborolou. Palavras bonitas, deviam ficar na gente feito música de refrão. Ôi, meu bem. Como se entende daí? Queria, em tua pele, fazer desenhos como agora, visse, eu passando o dedo aqui nas prateleiras. O dedo engomadinho de pó, eu tirando sua saudade. Nego, ôi. Manda os ponteios dos seus lápis pra cá, aqui vou recolher, ficar quietinha.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Fê, aí vai...
Determinei
Estabelecia que sim,
então era.
Preparou o fundamento, que era um pouco de feijão e arroz, e a mistura. Lembrou do vento, as roupas pra lavar, abriu a cortina. Sol não tinha, mas ainda se sentia quente no meio da fumaça a água evaporando soltando borbulhas e pingando pingando. Toda história tem história-e-meia. A água tingia o chá, ou era o contrário? Um chá ajudaria, sentiria sono e poderia enfim dormir no chão friozinho, quase um chão batido de terra dos tempos que nunca viveu mas não se esqueceu. A colher de madeira bate com força nas panelas e quem dera que fosse canção todo dia, nessa vida nossa uma música pra sentir digno o próprio esforço de entregar a pétala mais doce, o cruel veneno. Talvez fosse bem-querer, tinindo de novo as ventas. Se entregou certeira, tinha que ser. Os grãos do feijão desmancham folhas de louro. Queria sentir saudade, mas não isso já, sofria de alguma alegria alguma coisa que fica, coisa minha. Passeiam as mãos pelos cabelos, os restos de tinta nas unhas e o cheiro do sabonete barato, conforme fosse, quem pode dizer o dia de amanhã? Cada dia forma um jeito, uma temperatura, e se chove como fica assim parece chove é de través em mim.
então era.
Preparou o fundamento, que era um pouco de feijão e arroz, e a mistura. Lembrou do vento, as roupas pra lavar, abriu a cortina. Sol não tinha, mas ainda se sentia quente no meio da fumaça a água evaporando soltando borbulhas e pingando pingando. Toda história tem história-e-meia. A água tingia o chá, ou era o contrário? Um chá ajudaria, sentiria sono e poderia enfim dormir no chão friozinho, quase um chão batido de terra dos tempos que nunca viveu mas não se esqueceu. A colher de madeira bate com força nas panelas e quem dera que fosse canção todo dia, nessa vida nossa uma música pra sentir digno o próprio esforço de entregar a pétala mais doce, o cruel veneno. Talvez fosse bem-querer, tinindo de novo as ventas. Se entregou certeira, tinha que ser. Os grãos do feijão desmancham folhas de louro. Queria sentir saudade, mas não isso já, sofria de alguma alegria alguma coisa que fica, coisa minha. Passeiam as mãos pelos cabelos, os restos de tinta nas unhas e o cheiro do sabonete barato, conforme fosse, quem pode dizer o dia de amanhã? Cada dia forma um jeito, uma temperatura, e se chove como fica assim parece chove é de través em mim.
terça-feira, 11 de maio de 2010
a pequena estátua
Silver Clouds, Andy Warhol
gabriela nininha, pequenina
gostou muito muito dos quadros
que viu e... estática suspirava
ia e voltava o pensamento.
o mundo lá fora, e tanta abobrinha
lugar de criança crescer, dandando
ia, ia e vinha.
na boca rosa choque
no filme brilhante antiigo antigo
é tempo, eu falei.
mas a boca rosa choque
da moça do filme, a moça de várias cores
gabriela de várias cores
bem prateadinha
os cabelos que costuram
as fotos
os cabelos duros do retrato
malhado, a vaca amarela e a gabriela
querendo ser o balão, grande de travesseiro
o sonho voando, a gente espelhado nele.
gabriela, o elevador, estática.
boca rosa choque,
ficou dura nos ossos
ficou dura
ficou.
hoje, quando passeio
com as escolas aqui no museu
digo assim:
essa é a estátua gabriela,
ela gostou tanto da exposição
que decidiu morar aqui
(e pra morar aqui tem que ser
eterno né?).
PALMAS
Ainda
Arruda, cheiro de incenso, cor
invoco as chuvas, companheiras
de dentro, invoco
a terra que me invade
o gosto dos dentes
invoco tudo aquilo
que é secura
que é ponta afiada e dura
que é ardido e tímido
que é descaminho,
no meio da passarela.
Invoco todos os nãos
a navalha que chama
a flor transbordante
a graça de um pouso
certeiro. Bacia de
grávida. Invoco a roupa
que se lava a fibra.
Invoco o cheiro de corpo
e a penugem fresca
dos braços.
Invoco o que se fez pedra
a sombra que conforta a íris
o sustento feito com as mãos
o silêncio depois do grito que exalta.
A maravilha de ser criada
em tempo de paixão, esquecida dos
olhos de Deus.
E você, homem, ainda se lança
ao óbvio.
invoco as chuvas, companheiras
de dentro, invoco
a terra que me invade
o gosto dos dentes
invoco tudo aquilo
que é secura
que é ponta afiada e dura
que é ardido e tímido
que é descaminho,
no meio da passarela.
Invoco todos os nãos
a navalha que chama
a flor transbordante
a graça de um pouso
certeiro. Bacia de
grávida. Invoco a roupa
que se lava a fibra.
Invoco o cheiro de corpo
e a penugem fresca
dos braços.
Invoco o que se fez pedra
a sombra que conforta a íris
o sustento feito com as mãos
o silêncio depois do grito que exalta.
A maravilha de ser criada
em tempo de paixão, esquecida dos
olhos de Deus.
E você, homem, ainda se lança
ao óbvio.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Maria Tereza e a Chave de todas Fechaduras
- Tereza, que bonitas suas palavras,
e eu que não as conhecia!
- Carolina... eu te conheço desde sempre.
...e foi virar o mar, florescer onde o mundo faz a curva.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
ela que foi
quando eu fecho os olhos e vejo
desvejo, não há mais cor. Nos pés
um corte profundo, que adivinhei
não ter cura. Carrego por onde
se espalha meu corpo. Feito manto,
como sombra. Apara meus cabelos e
dóis atrás dos meus dentes. É mais
um pouco atrás das gengivas,
depois de depois do ventre. Entrego
aqui meu sorriso mas, está
sempre comigo. Tristeza sem tino,
descolorida. É aquilo que puxa o
canto dos olhos, às vezes. É um
olhar pra palma das mãos,
sem semeadura. É falta apalpando a cabeceira, de telhas.
Então, descobri logo onde descansam as estrelas. Segurando seu corpo que me alumeia, entre tantos destinos. O nosso é um fio bem fininho, mas é de seda. Às vezes no abismo é esse fiapo que guenta. Entre cacos e cacos de saudade vermelha.
Assinar:
Postagens (Atom)



