- Carolzinha, tudo na vida é questão do eufemismo que você bota nas coisas.
(Grande Renatão)
quarta-feira, 26 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Passarinho Aconselhou no Sonho
Hoje quando eu levantar terei calma para observar o dia que nasceu (que não é frio, quente, seco ou úmido). É um dia feito, completo, com nuvens e sol, com chuva, com vento.
Se tudo continuar o que foi pendurado ontem, cada pessoa vai se levantar, tomar café (ou não) e sair (ou não). Vai abrir as janelas, calçar as meias secas e reclamar. A matéria do que a gente fala é feito de minério vivo, dos nobres. Falar é muito difícil. Dizem que sobreviver é ter esperteza na ponta do nariz e óleo nas juntas. Amar é ter mel nos lábios, cuidar e querer bem com devoção.
Mas aí tem sempre aquelas coisas, uma bala de chumbo pesando embaixo da costela. Onde eu estou eu já não me equilibro, bambeio, fujo. As "opiniões" a gente faz com cinco olhos, trezentas nóias, um novelo de nó, breque de boi e lupa certeira. Pá! A opinião é um terraço muito horizontal, cheio de passarinhos e o canto deles, brisa e azul do céu: a gente chega lá, vai andando devagarzinho, senta, deita, enfia o pé na terra úmida e fecha os olhos. Opiniões.
De repente, a gente sabe: a opinião tá aqui e nossos olhos já correram muitas léguas pra frente, já sabem demais. Mas aí é que tá: isso que sabe não pode falar pra ninguém.
Hoje, quando acordar, vou pegar bastante terra com as mãos, amassar. Os olhos baixos, e lembrando que o importante é a terra, acima de tudo. Importante nessa vida é o que nela vive, todo mundo. É uma espécie de respeito, é quase um respeito. Tudo que é precipitado é cinza de cinzeiro, não foi e nem vai ser. O que alguém fala vai ficando, rola em cima da cabeça, bagunça tudo, macera, macera (penso,penso, vôo). Aí sim. Aí sim. Ué, mas o que eu tô falando é meu, eu que entornei. Eu mesma que posso fazer tanta alegria e merda: já fui rainha e plebéia.
As coisas do mundo, as peças. As sombras embaixo das pedras. Se a gente não ama como vai fazer? Hein? Meu truta? Como vai fazer? Dia nascendo, tudo corre, mas o grito atravessa até avenida. A vida é muito muito silenciosa. Queria que nada fosse frescura.
O dia nasce cheirando pólvora, que é pra gente nunca esquecer a guerra dos homens. Aqueles que ninguém ouviu. Povo bobo? Bobo é quem desacreditou, certo? O mundo é um redemoinho em todos os cantos, sangue no zói, então se segura na planta dos pés. Nunca se esqueça, aquela mistura de arroz e feijão. O mundo dos homens e das mulheres é um jogo de peças, é um labirinto, é um plano traçado, é um teatro de sombras?
Se tudo continuar o que foi pendurado ontem, cada pessoa vai se levantar, tomar café (ou não) e sair (ou não). Vai abrir as janelas, calçar as meias secas e reclamar. A matéria do que a gente fala é feito de minério vivo, dos nobres. Falar é muito difícil. Dizem que sobreviver é ter esperteza na ponta do nariz e óleo nas juntas. Amar é ter mel nos lábios, cuidar e querer bem com devoção.
Mas aí tem sempre aquelas coisas, uma bala de chumbo pesando embaixo da costela. Onde eu estou eu já não me equilibro, bambeio, fujo. As "opiniões" a gente faz com cinco olhos, trezentas nóias, um novelo de nó, breque de boi e lupa certeira. Pá! A opinião é um terraço muito horizontal, cheio de passarinhos e o canto deles, brisa e azul do céu: a gente chega lá, vai andando devagarzinho, senta, deita, enfia o pé na terra úmida e fecha os olhos. Opiniões.
De repente, a gente sabe: a opinião tá aqui e nossos olhos já correram muitas léguas pra frente, já sabem demais. Mas aí é que tá: isso que sabe não pode falar pra ninguém.
Hoje, quando acordar, vou pegar bastante terra com as mãos, amassar. Os olhos baixos, e lembrando que o importante é a terra, acima de tudo. Importante nessa vida é o que nela vive, todo mundo. É uma espécie de respeito, é quase um respeito. Tudo que é precipitado é cinza de cinzeiro, não foi e nem vai ser. O que alguém fala vai ficando, rola em cima da cabeça, bagunça tudo, macera, macera (penso,penso, vôo). Aí sim. Aí sim. Ué, mas o que eu tô falando é meu, eu que entornei. Eu mesma que posso fazer tanta alegria e merda: já fui rainha e plebéia.
As coisas do mundo, as peças. As sombras embaixo das pedras. Se a gente não ama como vai fazer? Hein? Meu truta? Como vai fazer? Dia nascendo, tudo corre, mas o grito atravessa até avenida. A vida é muito muito silenciosa. Queria que nada fosse frescura.
O dia nasce cheirando pólvora, que é pra gente nunca esquecer a guerra dos homens. Aqueles que ninguém ouviu. Povo bobo? Bobo é quem desacreditou, certo? O mundo é um redemoinho em todos os cantos, sangue no zói, então se segura na planta dos pés. Nunca se esqueça, aquela mistura de arroz e feijão. O mundo dos homens e das mulheres é um jogo de peças, é um labirinto, é um plano traçado, é um teatro de sombras?
quinta-feira, 6 de março de 2008
Periafricania
As Mina Pá! AJOELHAÇO no Zé Batidão
quarta-feira, 5 de março de 2008
ZAFENATE NA ÁREA!
Moças e Moços errantes do mundão,
entrem nesse link pra ouvir algumas músicas dos irmãos do Zafenate!!!
Salve!
http://www.myspace.com/zafenate
entrem nesse link pra ouvir algumas músicas dos irmãos do Zafenate!!!
Salve!
http://www.myspace.com/zafenate
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Variações sobre Pagode e Axé
Pôvo, dá uma espiada em alguns dos poemas do Vivi e do Acauam,
enquanto não sai o livro inteiro (sumemo!),
com as ilustrações feitas por mim e Emília.
Ó:
Câncer
Câncer
NOTA SOCIAL
enquanto não sai o livro inteiro (sumemo!),
com as ilustrações feitas por mim e Emília.
Ó:
Ilha
Nada me agrada
tudo me desagrega
o coração, o céu
um continente a deriva
e um invólucro de solidão
azul
arrebata minha baía
Orgânico
doido varrido
não é reciclável
Paixão
Quando acaba
me decepciono
comigo mesmo
"juntou tudo num balaio
e saiu dançando por aí"
Consolo
Eu pensei que amor existisse
e existia
NO METRO
Uma velha sentada
Duas moças em pé ao lado (lindas)
conversando.
Só olho pra velha.
O que ela tem a oferecer
(oferece existindo)
me toca mais no fundo.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Desenho do Chão
Salve, povo. Licença.
Repartindo um encontro entre jornadas de trabalho, invenção e vida, Edições Toró vem convidar pro lançamento do livro Desenho do Chão, poesia manuscrita de Silvio Diogo. Na NECESSIDADE de criatividade, as gargantas da mão e os cheiros da vista na procura do ritmado da Poesia, da expressão de perguntas duras como paredes que insistem em aparecer nas nossas esquinas do sentimento.
Sem marra mas ligeiro com essa auto-marquetage que impregna nas internet minuto a minuto, batelando na cabeça dos eternos virtuais, viciando a pensar que a vida seja uma tela na ponta do nariz: consumindo as horas dos pouco abraçantes, pouco suantes, de sapato com sola sempre nova, coluna torta e pouca ladeira. A substituir as carícias de pele, os vinhos de prosa e os cantos de guerrilha por digitais sempre apressadas e já quadradas, dos atuais apliques na tal “sociedade da informação”.
Nessas, Sílvio Diogo edita um livro feito de passos e te convida pra ler onde quiser. Busca, acerta, erra, viaja, nos brinda sempre com seus ouvidos amigos, presença autêntica que chove em seu trabalho. Solando, descobre poças no infinito e abre teias novas pra umidade mofenta de uns muros nossos, das urgências do hoje. Oferece aos leitores Poesia. Quem fecha o livro retorna com formigas na tramela do peito, ganha uma mirada pessoal de sentir os mistérios da criatividade. Essa que muda e se lapida a cada temporada de teimosia, reconhecendo buracos e lixos, fruteiras, frituras e nervuras do terreno.
As coisas acontecendo diferente do planejado e a gente desenhando nosso chão, aprendendo como nenês a equilibrar nossos passos, curtindo correr... mas vem Chão e também faz desenho da gente. Entre horizontes das manhãs e ciladas das madrugadas, do coração, a precisão do caminho a seguir.
No livro, o sotaque da caligrafia vem acompanhado dos desenhos de Carlos Ávila, ornando com a amarração de barbantes verdes.
Na humilde e na intenção faminta de ser lido, dez conto é o preço pedido nos lançamentos:
DIA 18/02, SEGUNDA-FEIRA
A partir das 18h, no Sarau do Bar do Binho, ponte de sabedorias e traquinages. Ainda na brisa da volta do povo da Expedição Donde Miras. Rua Avelino Lemos Júnior, 60, esquina com a Cel. Souza Ferraz, pertinho do Largo do Campo Limpo. Entre o posto e o caldo de mocotó. Fone: 5844 6521.
DIA 20/02, QUARTA-FEIRA
Às 21h, na Cooperifa. Onde mora o tição, a ciência, o sereno e a gana da Poesia. Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Chácara Santana. Fone: 5891 7403.
Allan da Rosa
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