quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dois peixes solúveis

... não é o medo da loucura que nos 
forçará a largar a bandeira da imaginação...
(André Breton)

Tenho nas mãos dois peixes solúveis. Olho pra um, que ganhei do poeta, e descanso jogando pro ar toda saudade, a quimera, a vontade de apelo. Avanço em braços e pernas, mas pra onde? Tudo o que tenho à frente é tudo o que tenho à frente. Muros de bolhas de sabão, onde se fizeram as últimas tentativas de guardar uma infância maldita. Fecha então sua porta de ferro, baleada de tampinhas de garrafa. Bebe os relógios, o cimento, os tijolos, tudo que te constrói e o outro peixe solúvel que tenho às mãos. São dezoito horas, fim do expediente. Já apaguei a última vela, nada resta. Olho pra ele que suspira, prateado. Pedaço de ferro mole, aguado. Pego o que consigo mas. Tudo o que tenho à frente é tudo o que tenho à frente.

Carêço

Porquê desenho, as nuvens se adivinharam pretas. As ranhuras da tua pele, que eu senti-não-vi. Papel onde se faz cosquinha. Branco do olho pingando sentido, em geometria. Paleta do chão. Porque aprendo, o material pulsando quieto. Quieto ou pulsando, existe cortejo de equilíbrio da munheca. Ólhe, ólhe. Hoje, homem miudinho fez desemprego da mão.Idéia é que voa, computadores fazem arte. Careço. Exércitos de operários-artesãos passaram por aqui e deixaram desassossego. Careço. Tenho só esse corpo, careço. Pulo raso, o papel é meu pasto. Careço. Pinça do indicador-polegar. Abri polegadas de veias nas fibras de celulose. Oxigeno o branco, aquele do olho. Vazio de sossego para aquela que pisca-pisca (num pára). Porquê desenho? A vida não desagua no sangue mensal. Meu cuspe, não. Lágrima sêca. Vida escorre da mão. Se aloja no seu branco do olho. Aquele que em época de cheia, transborda. Vê além, vê atrás. Vê mais que a menina (dos olhos). Duvide que cê vai ver. Com a mão construo casa cega no presente, moradia de grafite barato. Risco do assombro, roda passageira. Contigo passo. Careço. Meu traço tem largura não. Dez por quinze, não. Resto do resto do resto: escombro de palito de fósforo. Destruo meu desterro. Moradora em situação. A rua, desenho.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tem poeirá, poeira demais?

Quanta!
Momento de firmar, avante. Todos os traços e letras, na mão, mas.
Colocar no blog já é outros quinhentos.

Max Ernst

terça-feira, 14 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Vai brincando...




Ó como é que foi lá no Ermelino:

www.mesquiteiros.blogspot.com
www.efeito-colateral.blogspot.com

sábado, 28 de agosto de 2010

A menina sem a tampa da cabeça.


De repente me vi, e

ao passar os dedos na testa fui percebendo que o topo da minha cabeça tinha sido cortado fora. Aberto pros sóis, pra brisa do lusco-fusco e pra chuva. A tampa que guarda nossa dianteira pro mundo  e o cosmos todos, ai. Agora daqui não me escorre nada, só recebo? A tampa cortada, foi rápido e sem dor. Mas, o sangue seco me protege, e todo cheiro ocre de sangue. Pulsando os cabelos, insistentes em reter o que resta do meu antigo rosto. Todos aqui, me rodeiam. Essa menina sem cabeça, onde foi parar a cabeça dela? Respiro com as narinas e meu corte profundo. Os ossos, não voltam mais. Costume que a gente vai pegando. Costume de ser bacia aberta, receptáculo das horas que passam. Minha cuia de cima à mostra, pra sempre. Nunca mais deito.



É HOJE!!!


Povo, hoje vou chegar junto com os Mesquiteiros e Rodrigo Ciríaco,
fazendo uma pintura lá na Zona Lost.

Bora? Pra saber como chegar:

www.mesquiteiros.blogspot.com

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vulgo

Hoje eu estava atravessando a Estação da Luz, pra ir trabalhar. Como sempre
desviando de um aqui outro ali, povo pitando pedra, pedra pitando povo. Já ia
reconhecendo as putas e figuras de sempre... aí tomei um esbarrão. Uma mulher-homem-peixe
daquele jeito, batom desenfreado saindo pelos beiços. Olhando de rabo de olho
para trás, por que um homem de longe já chamava:

- Ô Pandoraaaaaaaaa.