sábado, 6 de abril de 2013

Se nea fofo pe ne se gyinatwi abo bidie.


A boca

Carreguei a angústia da sobrevivência
de sete gerações.

Orei por comida no prato
mas não mais.

Os dentes são fortes

minha pele é carne viva.

Olhei nos olhos da morte e
canto pra quem nasce.

Meu corpo virou osso,
a pele rala.

Quem me viu, teve dó.

Mal sabiam que nunca estive
tão forte.

E a milhão aprendi
tive que aprender.

Dentro de toda miséria ancestral
lá está ela:
a pérola.

O livro guardado
o gosto açucarado
o alimento
da boca
que não tem nome.

Tudo aquilo que mata a fome.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Poupatempo


Bom, já que ninguém, lê isso aqui vou escrever a torto e direito. Em meados de 2012 (até antes) iniciei a gestação de uma idéia, surgida quando o Sarau do Binho e outros movimentos começaram a sofrer ameaças justificadas por uma burocracia manipulada, que arrota alvarás e reintegrações de posse. Fardas e ternos se escondendo atrás de papéis. Binho gritava, na época: "Quem deu o alvará de funcionamento do Brasil?". Eu pergunto, cara-pálida.

Meu processo se iniciou pela busca de entender o papel-documento. Nasceu também de um grito: a "revolução" é feita de quantos papéis, de quantas posses e Constituições? Quem são as vozes por trás de um Registro Geral? Qual é o tom de azul da Pessoa Física por trás do Cadastro? Um dia desses fui ao Poupatempo refazer meu RG, e fiquei maravilhada. Milhares de carimbos e máquinas plastificadoras, cidadãos encarrilhados em filas homéricas, relógios, senhas fazendo tum-dum brilhando vermelhas. Poupar o tempo. O tempo que corre. O documento no bolso que te pergunta: quem é você e quem sou eu por trás desse pedaço de papel? Que é a história da burocracia? Onde encontro resquícios de Lamarck, Lombroso, positivismo e democracia, racismo e filhadaputisse? Pergunto ironicamente: "Que documento você precisa para mudar sua realidade? Vamos poupar o seu tempo, se é a questão".

O projeto do Poupatempo é eminentemente ativo. O "usuário" (para usar o termo de repartição) usa sua imaginação para me propor a criação de um documento. Já surgiram atestados os mais diversos, reintegração de posse, alforrias, crachás, inventário, green card, certidões de nascimento, liberdade condicional... todas adulteradas em seu teor. O Poupatempo não cria nada, apenas executa. Deixa aparecer desejos. Começo então a pesquisa, chafurdando carteiras e cartórios, delegacias e armários velhos. Envelheço papéis. Forjo carimbos. Fico enfurnada ali, num trabalho árduo e manual. Meticulosamente, microscopicamente copiando cada fonte, traço, matiz. Abomino o uso de réguas mas busco a linha reta. A falsificação dura dias, não é útil. É um gesto vazio pois copia incansavelmente sem atingir sucesso. O documento forjado está fora de circulação: é visivelmente impróprio para o que almeja. É autoral e contêm erros. É único, não reprodutível e mesmo assim de uma disciplina e controle motoro impressionantes. É a mão quase a ponto de máquina. Mas feito imperfeito, traço a traço. A cópia inútil vai pelo correio, buscando marcar trajetos, endereços, geografias. Achar o seu dono. Alguém, que ganha uma alforria. Alguém, que desejou uma certidão de nascimento menos parda. Inventamos micro-estórias.

Aqui vão alguns estudos e processos. Logo menos vão mais fotos (como péssima empreendedora que sou, esqueço de registrar as obras no momento que devo, mas belê, estou ficando boa nisso):

Feito em Photoshop, estudo para a alforria do Perê. O "dono" é o ex-secretário dos Transportes de São Paulo. 

Estudo para CPF, ainda com a mão bem solta.

Estudo para RG.

Declaração para Bruno Pastore.

Estudo para Green Card, para meu amigo de escola que hoje em dia mora no Japão.

Aquarelando meu próprio Registro Geral... em processo.



Para fazer pedidos, escreva contando seu pedido e todos os dados necessários, o Poupatempo agradece!

paracarolzinha@gmail.com

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

na gaveta

Faz um tempo encadeávamos os dias em uma sala de aula. Eu lá, toda invocada, querendo perguntar. Então se a palavra é coisa bela, vâmo até o fim.

Um dia, interroguei pra nossa turma o que eles tinham de guardado. De mais guardado.
Esse papelzinho amassado achei no fundo da gaveta. Foi Bruno Alexandre que escreveu (com a letra sôfrega, tirânu as vistas):

"Eu guardo retrato da minha mãe
porque ela morreu.
Eu guardo uma concha.
Concha do mar.
Joguei em cima do telhado".


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Dança, Morro do Querosene!


Salve povo!

licença pra convidar! 

O Grupo Cupuaçu Danças Brasileras foi contemplado este ano com o Programa Vai! 

O projeto surge da nossa vontade de voltar a ocupar cotidianamente as ruas do Morro do Querosene, e de onde o vento nos levar. Assim, chamamos para as oficinas que vão começar dia 10 de junho, e vão se estender por três meses (JUNHO, AGOSTO E SETEMBRO).

A gana é de não separar, fazendo retalhos cegos, naquilo que aprendemos inseparável: dançar e tocar buscando os fundamentos, aprender junto das mestras e mestres, respeitar o invisível e os ciclos da vida, dividir o alimento e o trabalho, fazer carreira bonita de miçangas, acender as velas e cheiros, resistir e vadiar!

Por isso, nós, a geração mais nova do Cupuaçu convidamos daqui:

SIMBORA!

domingo, 18 de março de 2012

ELA CHEGOU!!! O olho da mulher vai ser lançado em Sampa!


O livro O OLHO DA MULHER, poesia reunida de Gioconda Belli, da Nicarágua, será lançado durante o mês de março pela Arte Desemboque Casa Editorial. Os lançamentos acontecem em Diamantina, Belo Horizonte, São Paulo e São José dos Campos.
Publicado originalmente em 1992, o livro reúne a produção poética de Gioconda Belli desde o início da década de 1970 até o ano de sua edição. A autora – poeta e romancista nascida em Manágua, capital da Nicarágua – foi integrante da Frente Sandinista de Libertação Nacional e viveu exilada no México, na Costa Rica e em Cuba. Reconhecida e premiada internacionalmente, tem sua obra traduzida em inúmeras línguas. Sua poesia feminina, erótica, é uma visão amorosa e crítica do processo revolucionário na América Latina durante a segunda metade do século XX.

A tradução para o português foi realizada pelo poeta Silvio Diogo. Os textos do livro são acompanhados por ilustrações da artista plástica Carolina Tiemi Teixeira. A tradutora e pesquisadora Bethania Guerra de Lemos, que estudou em sua tese a obra de Gioconda Belli, ficou responsável pela revisão da tradução, notas e prólogo da edição.

O livro, com 135 poemas, ilustrações e apresentação – num total de 256 páginas – sairá pelo valor de R$ 25,00.

No Brasil, três livros de prosa de Gioconda Belli já foram publicados: os romances A mulher habitada (2000) e O país das mulheres (2011) e o livro de memórias O país sob minha pele (2002). Da obra poética, O olho da mulher é o primeiro editado no país.



Lançamentos do livro O olho da mulher
SÃO PAULO

21/03 — quarta-feira, às 21 horas
Local: Sarau da Cooperifa — Bar do Zé Batidão
Endereço: Rua Bartolomeu dos Santos 797, Chácara Santana, São Paulo
Informações: (11) 6599-5499 / 9342-8687

22/03 — quinta-feira, às 19h30
Local: Espaço Cultural Latino Americano (ECLA)
Endereço: Rua da Abolição 244, Bixiga, São Paulo
Informações: (11) 3104.7401


SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
— com apresentação musical do Trio José

24/03 — sábado, às 13 horas
Local: Literacia Livraria
Endereço: Rua República do Líbano 291, Jardim Oswaldo Cruz, São José dos Campos
Informações: (12) 3941.9918