sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Ladrão invade casas em Osasco só para "assaltar" geladeiras

Nada de dinheiro, jóias ou eletrodomésticos. O bandido que tem preocupado moradores da Vila Quitaúna, bairro de Osasco (Grande São Paulo), quer saber mesmo é de furtar guloseimas das geladeiras de suas vítimas. Pelas contas dos moradores da região, cerca de dez casas já foram invadidas pelo ladrão esfomeado.
Os ataques começaram na semana do Carnaval. O último aconteceu na manhã de ontem. O jeito de agir é quase sempre o mesmo. Ele entra, come, troca de roupas e depois vai embora, deixando a casa desarrumada e muitos bens de valor para trás. Quando encontra alguém em casa, não é violento. Termina sua refeição e vai embora.
Na manhã de ontem, o ladrão de geladeiras pulou o muro da casa da bancária Nair Goes, 36 anos, e entrou mesmo com o filho dela, de 10 anos, lá dentro. Chegou, abriu o refrigerador, tomou um suco direto da jarra. Depois, foi até o quarto.
"Ele disse para o meu filho que ia se trocar. Mas o menino disse que não, que no meu quarto só tinha roupas de mulher. Então, o ladrão simplesmente desistiu sem reclamar", conta. Depois, o homem foi embora sem levar nada. "Havia coisas de valor, mas ele nem se interessou", afirma a bancária.
Um dia antes, o excêntrico bandido havia entrado na casa do vizinho de Nair. Ele pulou um muro alto, foi para a cozinha, fritou um ovo e foi embora. "Descobrimos só depois, porque ele deixou um pedaço do ovo jogado no quintal, embrulhado em um guardanapo igual aos que uso", diz o analista de crédito Cassiano Pereira, 31. Segundo ele, no mesmo dia, o invasor foi mais uma vez até sua casa. Desta vez, abriu exceção e acabou levando R$ 20.
O criminoso passou dois dias em uma outra casa da vizinhança. Lá, ele comeu, bebeu e até chegou a sentar na laje da casa, de frente para a rua. Foi agarrado por um morador, mas fugiu.
(Folha de SP)

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

"Como ser um líder e influenciar pessoas (Best Seller)"

Peguei nos pulsos e o diagnóstico continua: ele bate.

Fungo um teco de ar, antes de lançar o salve diário ao cobrador do "Metrô Barra Funda" que lia incansavelmente seu livro de auto-ajuda, leitura preferida dos passageiros também. Posição sentada meia volta-volver. A miopia dói no fim da jornada, juntando embaço ao embaraço todo. Acostumar eu num acostumo não, jão.

Brisa corrói a janela, paisagem é a gente fora dela. O livro com a capa rosa-choque-cheguei conforma que lugar pra essa gente? Deus me livre do papo cabeça, do empreendedorismo e do carisma essas horas da noite. As cadeirinhas chacoalham, enquanto padeço a dor no lombo. Me vi folheando um sorriso enquanto cago pra essa tal felicidade.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Estabelecia que sim,

então era.

Preparou o fundamento, que era um pouco de feijão e arroz, e a mistura. Lembrou do vento, as roupas pra lavar, abriu a cortina. Sol não tinha, mas ainda se sentia quente no meio da fumaça a água evaporando soltando borbulhas e pingando pingando. Toda história tem história-e-meia. A água tingia o chá, ou era o contrário? Um chá ajudaria, sentiria sono e poderia enfim dormir no chão friozinho, quase um chão batido de terra dos tempos que nunca viveu mas não se esqueceu. A colher de madeira bate com força nas panelas e quem dera que fosse canção todo dia, nessa vida nossa uma música pra sentir digno o próprio esforço de entregar a pétala mais doce, o cruel veneno. Talvez fosse bem-querer, tinindo de novo as ventas. Se entregou certeira, tinha que ser. Os grãos do feijão desmancham folhas de louro. Queria sentir saudade, mas não isso já, sofria de alguma alegria alguma coisa que fica, coisa minha. Passeiam as mãos pelos cabelos, os restos de tinta nas unhas e o cheiro do sabonete barato, conforme fosse, quem pode dizer o dia de amanhã? Cada dia forma um jeito, uma temperatura, e se chove como fica assim parece chove é de través em mim.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Conversa dos corintianos depois do último jogo

Corintiano 1: ...porque como eu estava falando, são coisas da vida. Do que adianta ser sãopaulino e ter aquela vidinha acomodada, ganhando tudo, em casa na frente da TV, casamento estável e só engordando? É o preço de estar por cima. Tá bom, a gente sofre, mas tem pra onde correr. Cura as feridas que só o bar, canta as amarguras abraçado com um irmão, vê as estrelas, ó nóis aqui. Isso é ser corintiano tru...

Corintiano 2:...É quente (quase chorando)...

Corintiano 3:...Mano, cês só falam groselha mesmo, não tô vendo graça nenhuma no baguio. Dá meu copo aí...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

*Axé procês*

Nóis aqui, fazemos questão de aprochegar e movimentar o mundão, direto da nossa várzea. Sem miséria, povo. Muito axé pra quem é de merecimento, quem é de consideração, e assim... junto todos num abraço e desejo:

"Todo o simples da vida".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Rastilho da pólvora - em polvorosa

Rodamoinho roda roda, e eu rodo também... devo minhas divagações sobre a segunda divisão né? Já já... E as divagações de mesa de bar? Também, já já. No momento, coloco aqui dois escritos da Fê.

"Onde

Menina criada na ponta do dedo,

na ponta da faca,

dentro da saia, a saia a girar.

Dentro da menina, onde a mão não vai

a menina dança.

Dentro da menina, onde dói o amor

onde a mão não vai,

dentro da saia,

a saia a girar "





"A dinâmica lança uma partícula, põe em movimento um pouco d'água a cozinhar numa curva de rio. As partículas afunilam, vão se entrecortando até pingar, até encostar na terra do corpo.

O corpo procura uma beirada - porta de entrada avessa à conclusões. Faz um ar de graça, outro de desgraça. Procura um cigarro.

Quem tem a coragem de colorir o branco pálido da página. A coragem de penetrar outras cores, mais densas, mais escuras: ser penetrada. Ouvir só o coração, pulsando: coincidir consigo mesmo, depois abrir mão. A coragem de abrir a mão, cerrar o punho, atar o golpe. Ferir à faca, bala, bomba nuclear.

Fissurar um átomo.

O corpo procurando outro corpo, limite e motivo de todo querer bem. A coragem de descobrir um corpo negro, apontando pra expansão do universo. Esgueirar-se debaixo do cobertor dos séculos antes de tentar erguê-lo sem cuidado: há coisas que só se contam no escuro.

Descobrir uma pele negra, lisa e densa, como uma comunicação. Marcada, repisada- ressuscitada. O espectro dos séculos a rondar sua pretensão de clareza, de consciência. Porta (des)trancada, avessa à conclusões

Descobrir um buraco negro, uma mulher, o próprio ânus. Desmontar. Desabar as certezas sobre a terra do corpo, como quem pinga água."