quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

licencinha poética

... e olho aberto para o medo travestido de senso,
ódio travestido de crítica.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Exposição Contos de Poeira

Onde buscaríamos nossa história dizimada?
Onde cantaríamos o nosso canto,
tingiríamos nossas cores?
Onde sinto a parte de mim soterrada
por anos e anos de sombra?

O giz dos ossos...
e toda poeira
unida na bacia
de lavar a alma feminina.









terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Abrindo Caminhos - Licença

Salvê!


Continuando, continuando... embolando com a chuva lá vamos nós. Agora o terreno é o Sarau Elo da Corrente, onde a reunião é pro lançamento do livro Negrafias, e eu vou unir forças e levar uma parte do meu trampo. A água é senhora. Bora lá!

Abraço chêroso,

Carolzinha
www.flickr.com/destruidorasdelares


Dia 10/12 (quinta – feira) – 19:30 horas
Sarau Elo da Corrente
Bar do Santista - R. Jurubin, 788-A. Pirituba.
Entrada Franca. (11) 3906-6081
elodacorrente@hotmail.com


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Era uma praça muito engraçada, não tinha nome, não tinha nada...




...Ninguém podia achar ela não, por que a praça não tinha chão???

Chão tem, mas quase ninguém sabe. Quero te convidar a conhecer (e a fazer conhecida)
a única praça Zumbi dos Palmares da cidade de São Paulo.

Traga sua idéia e sua vontade para ocupar a praça no dia 20 de dezembro, domingo, a partír do meio-dia.

Toda atividade é bem vinda, pense em qualquer coisa possível de se realizar numa praça...
Ceromônia não oficial de emplacamento da praça, pintura das paredes, exibição de vídeos (traga o seu em dvd), fotografia, realização de curta-metragem, performances, pique-nique, brincadeiras, oficinas, conversa jogada fora, jogo de baralho, dominó, banho de sol...
E tudo mais o que você possa imaginar e trazer para somar! Convide os amigos.Te espero lá!

Como Chegar:
Vindo do centro sentido Terminal Cachoeirinha pedir para descer um ponto depois do hospital da Vila Nova Cachoeirinha. Saem ônibus do Largo do Paissandú, Terminal Barra Funda, metrô Santana, metrô Vila Madalena e Teodoro Sampaio.

Google Maps:
http://maps.google.com.br/maps?q=pra%C3%A7a+zumbi+dos+palmares+inajar+de+souza&hl=pt-BR&cd=1&ei=5AMYS5LgFJO-ygSv_MCbCQ&ie=UTF8&view=map&f=d&daddr=Pra%C3%A7a+Zumbi+dos+Palmares+-+S%C3%A3o+Paulo&geocode=CQFJNvtGFw9fFci9mf4deNI3_Q

Duvidas informaçõe se sugestões:
9811-0658 (Amanda) / 8922-9936 (Perê)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

prenúncio de casa nova

beliscou o meu cotovelo
e eu contei o sonho -
o do aquário e as
sementes dentro de casa.

bateu nas telhas
a força da chuva
e eu, meu Deus,
com apavoro
só rezava pra semente
que se fosse
e o teto
e os lençóis
e o belisco dos
teus dedos
na carne.

eu só rezava
pela casa,
o teto
e as quatro paredes
molhadas
já florescendo as
telhas
do meu ventre.

No início era o Verbo

Andava devagar pela saída da escola com as veias palpitando de cansaço. Viria a noite depois, como sempre, secar a cor amarelada dessa tarde cachorra? Tanta coisa. Só não sabia a causa do cadeado repentino que ia trancando a língua, logo depois da prova de português. Questão um, letra bê. Palavra não mais falava, só se esquecia. Conseguiu quase entender o meio-fio, a lua da unha e a unha da lua. Pulou de uma pra outra. O Nome, os nomes já não anunciavam. Havia garganta para tatear e o sopro que dela avoa e respira. A pinça da vontade que vai coroando as frases também, quase dizia. Até buscava a letra, a liga. Puxava do avesso para lembrar as rodinhas do "esse", a volta do "gê". Não casava o desenho sem o som, destoavam solteiros. O mundo desnudo das palavras ia se estreitando nos olhos como exigência sem fundura. Coisa dura e aterrorizante. Gritou? O meio-fio entornou a faixa de pedestres e desapareceu. O último gesto ia desabando em foice no tempo. Esquecer as frases apagou o desconcerto, a melancolia e seu texto cinzento. Ela já não durava, lembrava manchas vagas onde não se reconheceu.
Só não fechou os olhos porque não existia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A chuva clariô a noite

... foi debaixo de chuva, que pegamos dois ônibus lotados com a mulher recortada de papelão nos braços. O povo do buzão ia passando de mão em mão, por cima abrindo o caminho. Chuva moiô, tudinho. A lona se mantia firme, a lâmpada explodia. Chegamos no Clariô pra encontrar braços abertos, pão e café quentes. Fomos achar os pregos que marcam, a conversa boa com a Raquel Trindade, o caldo de feijão pelando já saía. Montamos lá, eu e minha comparsa, a moça recortada, desenho do chão. A roda girou até tarde.
E no fim o menininho pulou em cima das linhas feitas de fubá, que era pra pisar mesmo, e recolheu com todo o cuidado do mundo as poeira amarela pra sua coleção de poeiras...


logo mais coloco aqui algumas fotos da zueira lá no Clariô.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Morro Doce - dois poemas da Ciça

Neste sol calado
Vivemos afogados
Nesta cidade
Sem rio...

Entre morros verdes
Fugas concretas
de casas entre-postas
Num respiro
Sutil...

E no ar,
Voam soltas...
Grudam as pipas,
Escorrem pelo fio.

(Ciça)