sexta-feira, 30 de abril de 2010
Maria Tereza e a Chave de todas Fechaduras
- Tereza, que bonitas suas palavras,
e eu que não as conhecia!
- Carolina... eu te conheço desde sempre.
...e foi virar o mar, florescer onde o mundo faz a curva.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
ela que foi
quando eu fecho os olhos e vejo
desvejo, não há mais cor. Nos pés
um corte profundo, que adivinhei
não ter cura. Carrego por onde
se espalha meu corpo. Feito manto,
como sombra. Apara meus cabelos e
dóis atrás dos meus dentes. É mais
um pouco atrás das gengivas,
depois de depois do ventre. Entrego
aqui meu sorriso mas, está
sempre comigo. Tristeza sem tino,
descolorida. É aquilo que puxa o
canto dos olhos, às vezes. É um
olhar pra palma das mãos,
sem semeadura. É falta apalpando a cabeceira, de telhas.
Então, descobri logo onde descansam as estrelas. Segurando seu corpo que me alumeia, entre tantos destinos. O nosso é um fio bem fininho, mas é de seda. Às vezes no abismo é esse fiapo que guenta. Entre cacos e cacos de saudade vermelha.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Ao poeta Caco
a casa era sua, mas tinha minha tia nela
no sofá descansando
vidro quebrado, saia arrastada, cheiro cheirado
chegou.
queria minha bolsa e tirar tudo dela: as palavras escritas nos pedacinhos de papel. meus desenhos. tirou tudo tudo e falava: "é que eu tive uma grande idéia!"
aí no lugar colocou lâmpadas, metros de fio elétrico
e eu dizia: "caco, devolve minhas palavras?"
no sofá descansando
vidro quebrado, saia arrastada, cheiro cheirado
chegou.
queria minha bolsa e tirar tudo dela: as palavras escritas nos pedacinhos de papel. meus desenhos. tirou tudo tudo e falava: "é que eu tive uma grande idéia!"
aí no lugar colocou lâmpadas, metros de fio elétrico
e eu dizia: "caco, devolve minhas palavras?"
Mejor te Invento
Estás alicaído, estás dudando,
no te alcanzan las pruebas ni las preces,
Cada Dónde te ofusca, y cada Cuándo
Recorres el confort, las estrecheces
que quedaron atrás y es razonable
que reclames la vida que mereces,
Las ventanas en paz, el techo estable.
Pero yo, te confieso, prefería
(¿cómo querés hermano, que te hable?)
Cuando tu vieja angustia estaba al día
Con la amgustia del mundo, cuando todos
éramos parte en tu melancolía.
Sé qué polvos trajeron estos lodos
pero saberlo no es la mejor suerte.
Invetaré quién sos. De todos modos,
Inventarte es mi forma de creerte.
(MARIO BENEDETTI)
segunda-feira, 22 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Você acredita na Arte como ferramenta de inclusão social?
Denis me propôs responder a essa pergunta, como parte de um trabalho que ele está fazendo. Foi bão pensar sobre isso, então lá vai:
O acesso ao mundo codificado da arte sempre foi para poucos senhores, com H maiúsculo. Durante muito tempo e gerando nosso tempo, se tornou muro com arame farpado. A caixa fina da arte bem guardada ali e o mimeógrafo caindo aos pedaços aqui. Escola pública? Arte não entra ou explode em palavras violentas pelas paredes, escritas em giz, vela e spray? A inclusão é palavra perigosa, prefiro uma outra mais arriscada e cheia de curvas, chamada construção. Incluir supõe sistema fechado, abrindo uma porta lá nos fundos, ingrata. Porta dos fundos que, depois da jornada de trabalho e com um salário furreco nas mãos, se é permitido sair após limpar todos os cômodos e abrir todas as janelas abafadas do apartamento da arte contemporânea. Inclusão caiu na boca do povo, muitas vezes apenas como palavra morta que revive em muitas ações diversas. Tem coisa boa e viva nesse balaio, tem xeque-mate de organizações e governos carcomidos. Eu mesma sei que hoje ainda se faz a inclusão das mulheres no circuito da arte, desde que formalmente continuem em seu lugar. As mulheres aparecem, mas seu mundo subjetivo (e digo isso não a favor de uma essência, mas de uma vivência de opressão compartilhada) é feio. Como compreender esteticamente algo que foge da organização das imagens do mundo construído meticulosamente pelos cara-pálida? Inclusão social pra mim cheira perigo, com tudo que meus olhos já viram nesse jogo político que é a cultura. Construção nunca vem separada da educação, e se torna terreno aberto para crescer em palavra, domínio da própria história e desenvolvimento de um sistema estético vivo. Isso supõe, muitas vezes, retirar de anos e anos de mofo e poeira um indício do que seja nossa linhagem. Supõe um olhar, menos afeito a ligar os pontinhos de um desenho que alguém já planejou. A arte é motor de reconstrução de muitas vidas, como tomada de posse dessa rede delicada que une sentir e pensar, que une colecionar e organizar um mundo, cheirar e modificar a matéria. Muitas vezes coloca o arroz e feijão no prato, na maioria "apenas" coloca óleo na ferrugem dos dias. Cabe saber onde pisar nesse mundo exaurido, que diálogo estabelecer.
Qual é a igualdade da troca?
Aí Denis, qualquer coisa grita...
Bom, meu nome é Carolzinha Teixeira, tenho 26 anos e meu trabalho, ainda no começo da jornada, é baseado na pesquisa da história das pintoras no Brasil. No momento pinto em lonas recortadas e proponho instalações nos locais de exposição. As imagens propostas retomam arquétipos de uma história dizimada. Retiro o projeto das imagens de sonhos, conversas e da literatura.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
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