um ritmo e poesia quebrado
sairiam desses morros sem fim
onde tem barraco tem terra
na Cantareira da serra
antenas entre pipocos loucos
brincando de combustão...
cantando o jogo do coringão.
só quem conhece o setentinha
o treme-terra, a brasilândia
só quem conhece a cachoeirinha
o piscinão, o damasceno
enfiando o pé nesse atoleiro
de cima a baixo,
criando caso, exausto,
é que consegue gritar:
inajar, dois olhos
de remediado espelho!
quem não se arrisca dorme cedo.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Meio-tom
Era um dia cinza de São Paulo, cinza mesmo, meio-tom de céu destoando da arruaça que movimenta o Centro. Liguei pra ele me acompanhar, que sozinha ia ser ruim demais. Fazer correria, andar que nem formiga nessa cidade fria. Fomos meio assim atrasados, a chuvinha fina ia comendo o resto de quentinho da blusa, mal cabíamos no guarda-chuva de bolinhas. Rua Direita, Largo São Bento, do Paissandu, Santa Efigênia. Moço que canta, moço que faz embaixadinhas, moço que tá no trecho e chora... chora. Buscamos o preço que posso pagar, buscamos um teto pra fugir da ventania, buscamos conversar nessa barulheira. Zanzada, zonzeira, a fome aperta: É um e noventa, é dois e cinqüenta. A bixiga também pede, no meio da rua comercial. E no meio desse fuzuê meu mundo pára pra ouvir o carinho, voltando meus ouvidos prum ninho perdido... Ninguém que passava na Praça da Sé parou, nem o corneteiro, nem o camelô.
- Vamos procurar um lugar limpinho (disse ele cafunezando os meus cabelos).
O tempo estancou, parou de correr aflito pra estalar num beijo gostchoso.
- Vamos procurar um lugar limpinho (disse ele cafunezando os meus cabelos).
O tempo estancou, parou de correr aflito pra estalar num beijo gostchoso.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Arruaça é a puta que o pariu.
o Jornalismo canalha não para.
Expõe protesto como arruaça, como bagunça, e em nenhum canal, em nenhum jornal explicaram que tudo começou por um atropelamento.
Paraisópolis não pode se manifestar, manifesto é ter trailer lotado de gente fantasiada na Paulista.
Paraisópolis não pode achar ruim de ter mais um menino morto por causa de uma simples lombada ou um sinal, tá faltando farol em São Paulo? acho que não, vai pro Jardins, vai pro alto de Pinheiros e você vai ver onde eles se concentram, para evitar que o boy com a cara cheia de álcool, coca, maconha volte da balada e corra algum risco.
aqui! pancada, rojão, pneu queimado, tudo isso pra mostrar pro estado porco que agente dá valor pra uma vida.
fotos fotes, notícia quente, e nenhum morador falando, só as cenas de confronto, quando os robocops chegaram, com medo...medo sim, de que os favelados fossem para o vizinho, famoso "Morumby".
Num esquenta "ortoridade" que ninguém ainda se tocou que devia querer mais, dessa vez passa batido, só querem um farol.
abaixo carta da União de Moradores de Paraisópolis.
Os moradores da comunidade de Paraisópolis enfrentaram nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, um dia marcado pela irracionalidade.
Carros queimados, bombas e tiros trocados impediram que trabalhadores saissem de suas casas e crianças voltassem de suas escolas.
Milhares de vidas foram colocadas sob um imenso risco.
A União dos Moradores lutará com todas as suas forças para que essas cenas nunca mais voltem a se repetir em frente as nossas casas e ao lado de nossos filhos! Gilson RodriguesPresidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis
PS: vamos usar os nossos canais de informação para isso, para mostrar o outro lado dos acontecimentos, essa é a grande vantagem dos blogs.
por Ferrez
Expõe protesto como arruaça, como bagunça, e em nenhum canal, em nenhum jornal explicaram que tudo começou por um atropelamento.
Paraisópolis não pode se manifestar, manifesto é ter trailer lotado de gente fantasiada na Paulista.
Paraisópolis não pode achar ruim de ter mais um menino morto por causa de uma simples lombada ou um sinal, tá faltando farol em São Paulo? acho que não, vai pro Jardins, vai pro alto de Pinheiros e você vai ver onde eles se concentram, para evitar que o boy com a cara cheia de álcool, coca, maconha volte da balada e corra algum risco.
aqui! pancada, rojão, pneu queimado, tudo isso pra mostrar pro estado porco que agente dá valor pra uma vida.
fotos fotes, notícia quente, e nenhum morador falando, só as cenas de confronto, quando os robocops chegaram, com medo...medo sim, de que os favelados fossem para o vizinho, famoso "Morumby".
Num esquenta "ortoridade" que ninguém ainda se tocou que devia querer mais, dessa vez passa batido, só querem um farol.
abaixo carta da União de Moradores de Paraisópolis.
Os moradores da comunidade de Paraisópolis enfrentaram nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, um dia marcado pela irracionalidade.
Carros queimados, bombas e tiros trocados impediram que trabalhadores saissem de suas casas e crianças voltassem de suas escolas.
Milhares de vidas foram colocadas sob um imenso risco.
A União dos Moradores lutará com todas as suas forças para que essas cenas nunca mais voltem a se repetir em frente as nossas casas e ao lado de nossos filhos! Gilson RodriguesPresidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis
PS: vamos usar os nossos canais de informação para isso, para mostrar o outro lado dos acontecimentos, essa é a grande vantagem dos blogs.
por Ferrez
o que me atravessa

me atravessa na cidade, esse asfalto
cor de pó roxo, esse engodo
todo
me atravessa a catraca, a potranca
do alto-falante, a pipoca o
estouro
do motoboy, me atravessa a tristeza
do mar longe, da árvore verdejante
dinheiro
me atravessam os pedestres falantes
a loja gritante, as putas e mães
passistas
me atravessa um risco no meio, um olho
que vê o feio e uma parcela de bonito
arisco.
www.flickr.com/photos/puta_madre
sábado, 20 de dezembro de 2008
O dia em que eu aprendi a brincar de NADA

Tamires é uma pequenininha de 5 anos que mora em cima da casa do Skol, na favela do Pery Alto, Zona Norte. Todo dia ela acorda cedinho e fica brincando pelo quintal, já que ainda não vai pra escola. Quem fica cuidando dela é o irmão de 9 anos, o Felipe, mas deu meio-dia ele sai pra rua e aí só Deus. Dia desses eu estava comendo uma maçã requentando no sol do quintal, e parei pra observar a Tamires brincar com uma bolinha na escada que dá pro barraco dela.
- Tamires, que cê tá fazendo, bem?
- Tô brincando de nada.
- Uia, e como a gente brinca de nada?
- É fácil, ó: vou te ensinar. Você pega as coisas assim (pegou a bolinha), e deixa ela (a bolinha rola devagar pela escada). Viu?
- Tamires, que cê fez hoje?
- Nadei.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Quem é você, Nicarágua?
Quem é você
senão um triangulinho de terra
perdido na metade do mundo?
Quem é você
senão um vôo de pássaros
guardabarrancos
sabiás-da-praia
colibris?
Quem é você
senão um ruído de rios
levando consigo as pedras polidas e brilhantes
deixando pegadas de água pelos montes?
Quem é você
senão seios de mulher feitos de terra,
lisos, pontudos e ameaçadores?
Quem é você
senão cantar de folhas em árvores gigantes
verdes, emaranhadas e repletas de pombas?
Quem é você
senão dor e pó e gritos à tarde,
-"gritos de mulheres ,gritos de parto"?
Quem é você, Nicarágua
senão punho cerrado e bala em boca?
Quem é você, Nicarágua
para me doer tanto?
(Gioconda Belli)
senão um triangulinho de terra
perdido na metade do mundo?
Quem é você
senão um vôo de pássaros
guardabarrancos
sabiás-da-praia
colibris?
Quem é você
senão um ruído de rios
levando consigo as pedras polidas e brilhantes
deixando pegadas de água pelos montes?
Quem é você
senão seios de mulher feitos de terra,
lisos, pontudos e ameaçadores?
Quem é você
senão cantar de folhas em árvores gigantes
verdes, emaranhadas e repletas de pombas?
Quem é você
senão dor e pó e gritos à tarde,
-"gritos de mulheres ,gritos de parto"?
Quem é você, Nicarágua
senão punho cerrado e bala em boca?
Quem é você, Nicarágua
para me doer tanto?
(Gioconda Belli)
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
pra resolver a questão
então agora vou colocar um do senhor, seu giovanni baffo:
ISSO DE QUERER
NAVEGAR
POR MARES QUE
NÃO DÃO MAIS PÉ
AINDA VAI NOS
MATAR
AFOGADOS.
ISSO DE QUERER
NAVEGAR
POR MARES QUE
NÃO DÃO MAIS PÉ
AINDA VAI NOS
MATAR
AFOGADOS.
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