quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Tem umas mortes que são mais bonitas que as outras...

Mais uma quarta-feira daquelas, molecada feliz saindo do Zé Batidão. No caminho longo da Zona Sul pra Zona Oeste, paramos na Estrada do Campo Limpo pra tomar mais uma saideira e comer um caldo de mocotó ali no boteco verde. O povo ia contando causo, enquanto eu fiava uma conversa com um menino-moço que veio das terras do outro lado do mar.

- Lá em Moçambique os homens podem casar com mais de uma mulher? E as treta?
- Ah, meu avó morreu de treta, por causa de ciúme.
- Eita porra...
- Ele casou com uma mulher assim... meio nova, e depois casou com outra mais velha. Ele morava no canto da roça, tinha uma casa. A mulher mais velha morava perto dele, do lado. A casa da mulher mais nova era no outro canto da roça, sendo que pra chegar lá meu avô passava antes na casa da mulher mais velha (que era minha avó). Pois bem, a moça nova começou então a brigar, porque ela dizia que tudo que era o bom ele deixava no meio do caminho, e o ruim ficava pra ela.
Um dia meu avô simplesmente morreu. No almoço resolveu comer um peixe, como fazia quase todo dia, e engasgou com um espinho que cruzou a garganta dele. Mas o espinho tinha veneno, e meu avô morreu inchado. Dias depois, eu não sei se você acredita nisso, em feitiçaria? Lá em casa tem um alambique, então dias depois a mulher nova pegou um galão de barro grande, a gente usa muito isso lá, pra levar cachaça na cabeça. Mas não sei o que aconteceu, no caminho o galão rachou em mil pedaços, e rachou a mulher inteirinha em mil pedaços também. E ela morreu. Dizem que foi vingança da minha avó...
- Eita porra.

3 comentários:

Anônimo disse...

Eita porra! Vixi?!! Umas mortes tão bonitas... Bonitas de morrer!
bj
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Voraz disse...

vixi Maria... essa é quente iemanjá...

Voraz disse...

vixi Maria... essa é quente iemanjá...